RÁDIO MORTO – D.D.D.
O SILÊNCIO
Levante, seque suas lágrimas, você está livre
Desista e vista-se.
Vá, antes que ele nos ouça
Antes que todo o inferno nos ouça
Respire, bem fundo
Respire, bem fundo
Não se desespere, vá
Não se desespero, vá
Sozinho, sozinho, cante uma canção
Sozinho, sozinho, cante uma canção
Uma canção pra aquecer (x5)
Ta muito frio (x3)
Eu não consigo rir, você não consegue rir
O riso sai fraco, o riso sai fraco
Silencio, silencio
Ainda não há a paz eterna (x3)
Silêncio, silêncio, ainda não morremos
Ainda não há a paz eterna (x4)
De Deus, do diabo, do demônio, de Deus, de Zeus, do Buda, de Cristo, do Satã
A paz eterna, o silêncio.
A paz eterna, o silêncio.
A DEPRESSÃO
Ela arrasa toda sua vontade
Devora seu viver, derruba suas ilusões
Te joga um enorme caldeirão de água fria
Te joga debaixo de uma cachoeira gelada
Te joga em uma mar rodeado de icebergs
Acaba com suas estruturas, toma o seu controle
Te faz perder, te faz cair, te faz tremer
Engole sua auto-estima, massacra o seu orgulho
Rasga o seu desejo, humilha o seu caráter
Amassa o seu amanhã, te faz suar, te faz chorar, te faz matar
Te cega, te abusa, te deixa mudo, te deixa nu, para o seu mundo
Te ama e te odeia, te afunda bem fundo
Te faz morrer
O SER E O NADA
É difícil ser eu mesmo
Penso, logo sou eu
Preso nesse corpo
Com a mesma cara todo dia
A mesma rotina, os mesmos medos
A cor dos cabelos, dos olhos, da retina
Passando pela mesma rua, olhando os mesmos carros
Tomando coca-cola, voltando da escola
Indo e vindo
Sentindo meus pés, comendo pastéis
Correndo da chuva, sou eu olhando no vidro do carro
Refletindo a minha face, a mesma face
A mesma cara, a vida toda com a mesma cara
Hoje sem, mas amanhã cheia de rugas
COMO SE FOSSE O FIM
Vem como uma tempestade devastando tudo
Vem de repente, atacando violentamente
Não tem piedade
Com a foice te decepa a cabeça
Aproveite a vida meu caro
Goze cada dia como se fosse o fim
Regule a serotonina, a noradrenalina
Jogue a depressão e os conflitos fora
Viva da forma como achar melhor
Bebendo, transando, dormindo, pensando
Mas cuidado, viver chorando pelos cantos com feição de morto fora do caixão é burrice
Pois ela vem logo, ela vem pra te colocar no terno de madeira
Cuidado, cuidado, cuidado, cuidado!
Vem como uma locomotiva, vem devastando tudo
Vem como um furacão
A morte, te coloca num saco preto
MISÉRIA HUMANA
Escondendo da chuva, debaixo da ponte
A noite fria, os ratos
O cheiro podre, deitado com um cobertor fétido
Levando chutes da polícia
A fome ataca, o ataque ao lixo
A maça mordida, o pão embolorado
Era endinheirado
Miséria, miséria, miséria, miséria!
Peço comida, me dão pão
Não agüento mais pão
Santa ceia, imploro aos santos
Me dêem dignidade
Dignidade? Levando ovos na cabeça?
Cuspe na cara? Morram! morram!
Porque? Cadê o estado?
Sub-humano, cadê Deus? Cadê?
Só vejo o deus da miséria
Só vejo o deus da maldição!
TRISTEZA INFINITA
A angustia aperta o peito
O choro vem chegando
O vento bate na cara
Ultrapasso os portões
A beleza gótica, o olho grande da coruja
As cruzes, as flores, a tristeza em pedras
Os túmulos, sim, estou num cemitério
Ah tristeza, porque veio?
Ficasse lá, não fosse ao funeral, nem ao enterro
Porque vieste me visitar? Vá embora!
Ah tristeza, porque não morre?
Me responde ser necessária, tanto quanto a alegria
Mas cadê a alegria? Ficou lá na folia, no jogo de futebol, na mesa do bar, na cama do motel, no casamento!
Mas vocês andam juntas?
Me respondem serem inseparáveis, só se separam em momentos oportunos!
E quando são os tais momentos?
Uma vem na vida e a outra vem na morte.
PSICOFUGA
Estou feliz, estou sorrindo
Estou fudendo
Relaxando, gozando
Foda-se você
Seus sentimentos
Jogo Xadrez
Tomo café
Dirijo meu carro
Ouço Black Metal
Quebro um copo
Masco chicletes
Compro um bilhete
Vou ao cinema
Nem lembro de você
Não estou dando a mínima para os seus sentimentos
Nem lembro de sua existência, vadia!
O seu coração, o seu coração, o seu coração
Foda-se o seu coração, foda-se, foda-se!
Eu fiz ele parar, eu fiz ele parar, eu fiz ele parar!
O VELHO E O VENTO
O velho e seu cigarro
A fumaça invade o seu corpo
A pinga queima a garganta
O coração bate no peito, fraco, cansado e com defeito
As angustias de uma vida toda, vem com as lembranças da infância
Vem com o sopro do vento
O cheiro da chuva
A certeza da morte
O céu nublado
A árvore seca
A imagem do santo
O gato preto
A ausência de um Deus
CHUVA ÁCIDA
A chuva cai sem parar
Eu fico ilhado nessa casa
Só penso em sair daqui
Sair pra correr
Correr na chuva
Mas eu não consigo sair
A chuva é ácida
O ser humano é podre
A chuva é ácida, o ser humano é podre
A chuva cai sem parar
Eu fico ilhado nessa casa
Só penso em sair daqui
Sair pra correr
Mas a chuva é ácida e o ser humano é podre
Egoísta, podre
Eu posso te ajudar?
Será que eu posso te ajudar?
Mas a chuva cai sem parar
Eu to ilhado nessa casa
Mas eu só penso em sair
Sair pra correr, será que eu posso te ajudar?
Mas a chuva é ácida e o ser humano é podre
Será? Será que eu posso te ajudar?
Ainda cai sem parar, ainda estou nessa casa, ainda penso em sair, ainda quero correr, ainda sou podre, ainda sou egoísta, ainda é ácido!
Será que eu posso te ajudar? Será?
DEVASTAÇÃO E DESOLAÇÃO
A neblina deixa a escuridão branca
A estrada e os faróis amarelos dos carros
Seu corpo gelado, minha mão quase morta
O medo da morte, o cair da noite
O súbito vendaval
A ansiedade, a insanidade
A morte bate a porta, o cheiro do álcool, os comprimidos
A loucura chega sempre a noite, chega na escuridão quase sempre acompanhada do medo
Delírios, desespero, desesperança
Devastando o sistema nervoso
A noite, devastando a calma e o gozo
O ÚNICO ERRO
O nascimento, talvez o único erro
Aprendizagem, depois traumas, abusos, ilusões e mentiras
Erros e mais erros
Casamento, família, aposentadoria e morte
Erros vividos intensamente e deles nada aprendido
O amor é um erro
O conhecimento é um erro
A felicidade é um erro
A amizade é um erro
O ódio é um erro
A bondade é um erro
Inseguro, vou errando
Sempre sem razão
Sempre na contra mão
Sempre sem razão
Sempre na contra mão
O nascimento, talvez o único erro
SIMULACRO E SIMULAÇÃO
Me responda caro amigo, você já perguntou por que vive?
Você não se questiona pra que viver?
No caminho da vida passamos por momentos tão difíceis
Doenças, mortes, desastres, frustrações e decepções
Então caro amigo, por que? Pra que?
Passamos por momentos felizes também, não nego
Festas, consumo, sexo, realizações, encantamentos
No fim, momentos difíceis e os felizes são simulações do viver
Nos enganamos, achamos que vivemos, mas sobrevivemos
Para em breve morrer, então concluir o caminho natural de trilhões de seres humanos que já passaram por aqui
VONTADE DE NADA
Levanto e olho para o céu, nublado
Uma chuva fina cai
Fumo um cigarro, tomo café,tento acordar
Jogo água fria na cara
Me bate uma tristeza imensa
Me bate um sufocamento
Mais um dia sem sentido
Mais um dia de inimigos
Me bate uma melancolia
Melancolia, melancolia, melancolia, melancolia
Ligo a TV, só tem lixo, porcaria
Ligo o som, tudo me enjoa
Vou ao telhado, olho pra baixo
Não posso, não posso, não posso, não posso
Volto pra baixo, pego um livro, começo a ler
História da loucura, Michel Foucault, pego Nietzsche, pego Freud, pego Schopenhauer
Nada me tira da melancolia
O tédio, a melancolia, o tédio, a melancolia, melancolia, melancolia (x5)
Saio pra rua, a chuva me encharca, encharco a cara de álcool num boteco
Vou ao cinema, cinema pornô, sexo pago, prazer simulado
Já chega a noite, me entrego ao pó, me entrego ao pó
Estou só o pó, pó, uísque, pó, uísque, uísque, uísque e melancolia
Pó, uísque e melancolia (x3)
Melancolia, melancolia, melancolia, melancolia (x3)
ALMA VAZIA
O vazio é tão grande e minha vida limitada
O nada preenche minha alma
Será que a existência perdeu seu sentido?
Será que já nasceu o anticristo?
Será que algum homem é super-homem?
Zaratustra, Zaratustra, quero ver o Deus morto
Foi sua piedade que o matou?
Zaratustra, Zaratustra, me mostre um humano não demasiado
Os sem medo, os morais, dinamites pronta para detonar!
Zaratustra, Zaratustra, me mostre o caminho
O nada preenche minha alma
DOR E VAPOR
Estou farto do seu egoísmo, das suas idéias fixas
Do seu conformismo
Diante do seu sofrimento, me rendo
Te cubro com meu corpo, te dou meu amor
Pego sua dor, transformo em vapor
Me faz morrer, me faz morrer
Me faz morrer, me faz morrer
Seus pecados, seus lamentos, sua depressão
Seu desamor, seu mau humor
Diante do seu afogamento, me culpo
Te abraço, te dou alívio
Tensão
Enxugo seu suor, transformo em vapor
Me faz morrer, me faz morrer
Me faz morrer, o morrer, morrer, o morrer
Me faz morrer, me faz, me faz morrer, me faz morrer.
PRAZER E SOFRER
Te torturo por prazer, te abuso porque sou mais forte
Te molesto porque sou Deus
Te bato porque te quero com medo
Te faço carinho, te dou um apertão
Te dou um tapa, um soco, te enforco
Te deixo acuada, te chupo, te estupro
Deitada ao chão, chora, implora
Eu choro também, por saber que sou um porco, desumano, sádico, doente
Sei que sou o pior dos seres humanos, por matar aquilo que amo
SÓ ENTÃO
Só então, me dê um pão com requeijão
Me sirva na mesa
Me de o deleite de sua beleza
Tome o leite com delicadeza
Não olhe pra mim, tome até o fim
Me deixe comer, me deixe viver sem ti
Só então, me de um pão com requeijão
Sirva na mesa, me de o deleite de sua beleza
Tome o leite com delicadeza
Não olhe pra mim, tome até o fim
Me deixe viver, me deixe viver sem ti
Sem tua beleza, sem tua delicadeza
Sem o pão, sem a mesa
Não olhe pra mim, me deixe viver
Me deixe viver, só
Então
ORQUÍDEAS DESPEDAÇADAS
O orquidário, a lua, o vento frio, o sumiço repentino
Como a morte
Pensamento fixo, obsessão
Pensamento fixo, obsessão
Não consigo esquecer, deprimido e frustrado
Não consigo dormir, pesadelo gelado
Destruo as orquídeas, lágrimas amargas
Destruo as orquídeas, alma empedrada
Pensamento fixo, perda (x2)
Não consigo viver, sem você
Não consigo morrer, por você
Destruo as orquídeas, destruo as orquídeas pra viver
Pra não morrer
OXIGÊNIO (DESESPERO)
Vem de repente, do nada
Invade o peito, ocupa a mente
Falta o ar, perco o controle
Oxigênio, oxigênio, oxigênio
Quero uma ventania, uma ventania
Cadê meu ar? Por favor, devolva-me
Me de sua mão, me abrace
Me ouça, rasgo minha blusa
Caio ao chão, chuto tudo ao meu redor
Quebro meu pé, quebro tudo o que vejo
Detono minha mão, quero que me entenda
Me ouça, ouça meu grito
Ouça minha respiração, minha respiração
Meu desespero
Devolva-me, meu ar, meu pé, minha mão
Meu desespero
FIM
No inicio, bem no inicio
Não enxergamos o final
No inicio, matamos o medo
Bem no inicio, choramos de saudade
Lá no inicio, sentimos o amor
A paixão
Agora é dor
Agora é terror
Sem esperança
A sombra negra, a desilusão
Alcançamos a sombra negra, cansamos e é só desilusão
Agora, agora
Enxergamos o fim
MEU MUNDO CAIU (BÔNUS TRACK)
Meu mundo caiu e me fez ficar assim
Você conseguiu e agora diz que tem pena de mim
Não sei se me explico bem
Eu nada pedi
Nem a você nem a ninguém
Não fui eu que cai
Sei que você me entendeu
Sei também que não vai se importar
Se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar
Meu mundo caiu e me fez ficar assim
Você conseguiu e agora diz que tem pena de mim
Não sei se me explico bem
Eu nada pedi
Nem a você nem a ninguém
Não fui eu que cai
Sei que você me entendeu
Sei também que não vai se importar
Se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar