segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

[LETRAS] TESTAMENTO (2013)


AD MORTEM
(Instrumental)
GÓTICA PROFANA
Venha comigo e dance a noite inteira
Dance a noite inteira
com sua roupa gótica, dance com a caveira
Ao redor dos túmulos, dentro da igreja
Dance a noite inteira (x2)
sinta a morfina entrar pela veia
venha comigo como uma garota...
venha comigo como uma garota virgem
venha comigo nessa dança macabra
venha comigo pela estrada afora
Dance a noite inteira!
transe, trepe, foda a noite inteira
foda comigo a noite inteira
trepe comigo a noite inteira
foda comigo a noite inteira
sangre comigo a noite inteira
foda comigo, trepe comigo, foda comigo, trepe comigo
A noite inteira!

MISANTROPIA
Misantropia!
Intro (Alborga fala)
sempre tem um filho da puta querendo fuder
sempre tem um filho da puta pra levar vantagem
sempre tem um filho da puta com o carro do papai
querendo passar por cima de tudo e de todos
sempre tem um filho da puta querendo ganhar nas tuas custas
sempre tem um filho da puta furando fila, perguntado “Sabe quem eu sou?”.
Não quero saber, quero que você morra de câncer no cérebro!
sempre tem um filho da puta dando e recebendo propina
sempre tem um filho da puta na surdina, te esperando
sempre tem um filho da puta orando, pegando o seu dinheiro e rindo da tua cara
sempre tem um malandro pra te fazer de bobo
sempre tem um patrão pra te mandar lavar o chão, sempre tem um ladrão, o cliente tem sempre razão
O assassino sempre tem o perdão divino
sempre tem você, sempre tem eu
sempre tem o politico, sempre tem o acrítico
sempre tem Deus, sempre tem O Diabo (x2)
sempre tem um filho da puta querendo fuder (x2)
sempre tem um filho da puta pra levar vantagem
sempre tem
Sempre tem sempre terá (x5)
um filho da puta (x2)

SANTA VADIA
Ri da tua cara e da tua vida
Anda na rua como uma vadia
te chama de broxa
te cospe na cara
Não passa de um bosta
de um pedante errante que se acha
e não é nada, nada! Nada
Bela pitanga, doce laranja, néctar absoluto
Hipnotiza, paralisa
Excita, fascina
que vagina, ah!

GAROTA CADÁVER
Ela surge no meio do temporal
Como uma visão
Linda, branca como cocaína
fria como neve
pego em sua mão pequena
beijo sua boca macia
sua pele quase transparente
Me deixa ver suas veias
Garota cadáver me leva pro seu antro
seu tumulo de ardósia
Linda garota cadáver
Garota me leva pro seu antro cheio de zumbis

O INDIGENTE
Fui jogado nessa cova rasa
Com um furo de fuzil no crânio
Meu corpo estava todo carbonizado
Fui jogado nessa cova rasa (x6)
Morte misteriosa (x3)

VULTOS SATÂNICOS
Andando na noite percebo que estão me seguindo
são vultos satânicos, são vultos mandados por Deus!
vultos satânicos! vultos mandados por Deus!
(Morre Diabo – O Esquizofrênico)
(A Francesa – A Puta)
Vultos satânicos!

URUBUS NA CARNIÇA
Como urubus na carniça eles querem você (x2)
querem o seu corpo, querem sua roupa
Como urubus na carniça eles querem você
querem seu dinheiro
querem sua vida
Como urubus na carniça eles querem você
querem seu cabelo
querem sua pele
Querem os seus olhos
como urubus na carniça eles querem você
querem os seus medos
querem os seus livros
querem sua mãe, seu pai, seu Deus
Como urubus na carniça eles querem você!

O VALE DA SOMBRA DA MORTE
(Instrumental)

TESTAMENTO
Choro pela Rússia, clamo por paz
Temo pela sua vida fugaz
Em seu testamento mergulha desespero
Em suas lembranças da mais tenra infância
Pela sua vida inteira sonhou com aquela noite fria
Aquela noite branca, que corta tua garganta
que sangra, espanca, espanta a morte que ronda
que chora, sem hora, sem honra, sem dó
Choro pela Rússia, clamo por paz (x2)



A ETERNIDADE
Baseado na Poesia “Glória e Eternidade” de Friedrich Nietzsche
Quanto tempo já, te assentas
sobre o teu infortúnio?
Atenção! Ainda chocarás
um ovo,
um ovo de basilisco
Da tua longa desgraça.

O que faz Zaratustra, pé ante pé ao longo da montanha? -

Desconfiado, ulcerado, sombrio
um espreitante distante -,
mas de repente, um raio,
claro, terrível, um golpe
contra o céu, vindo do abismo
- até a montanha sente tremer
sua entranha...

Onde o ódio e o raio
eram unos, uma praga -
sobre as montanhas agora mora a fúria de Zaratustra,
numa nuvem ele disfarça seu caminho.

Que se esconda, o que tiver uma última coberta!
À cama com vocês, seus frágeis!
Agora os trovões rolam sobre as abóbadas,
agora treme o que é vigamento e muro,
agora estremecem raios e verdades cinza-sulfúreas -
Zaratustra pragueja...

Essa moeda, com a qual
todo mundo paga,
glória! -
só com luvas é que toco essa moeda,
com asco a pisoteio debaixo de mim.

Quem quer ser pago?
Os que podem ser comprados...
Quem está à venda, agarra
com mãos sebosas,
buscando o latão blim-bão da glória mundana!

- Querem comprá-los?
Eles podem ser todos comprados.
Mas ofereça muito!
tilitante a bolsa, com força!
- pois senão tu os fortaleces
fortaleces senão a sua virtude...

Todos eles são virtuosos.
Glória, e a virtude da vitória - isso até rima.
Enquanto o mundo viver,
a virtude-tagarela paga
com glória-sem-taramela -
e o mundo vive dessa balbúrdia...

Ante todos os virtuosos
quero ser culpado,
ser chamado culpado de toda grande culpa!
Ante todos os juízes provisórios da glória
minha ambição se tornará verme -
pois entre tipos assim faço gosto
em ser o mais vil...
Essa moeda, com a qual
todo mundo paga,
glória! -
só com luvas é que toco essa moeda,
com asco a pisoteio debaixo de mim.
·.
Silêncio! -
Sobre grandes coisas - eu vejo coisas grandes! -
a gente deve calar
ou falar grande;
fale grande, minha sabedoria encantada!

Eu olho para o alto -
lá rolam mares de luz:
- oh noite, oh silêncio, oh balbúrdia mortalmente silenciosa!...
Eu vejo um sinal -
da distância mais distante
uma constelação se inclina, lentamente cintilante, até mim...

Mais alto astro do ser!
Quadro de obras plásticas eternas!
Tu vens até mim? -
Aquilo que ninguém vislumbrou
a tua beleza muda -
como? Ela não foge aos meus olhares?

Placa da necessidade!
Quadro de obras plásticas eternas!
- mas tu sabes muito bem:
o que todos odeiam,
o que só eu amo,
que tu és eterno!
que tu és necessário!
Meu amor se acende
eternamente apenas na necessidade.

Placa da necessidade!
Mais alto astro do ser!
- que não é alcançado por nenhum desejo,
que não é manchado por nenhum não,
sim eterno do ser,
sou teu sim eterno:
pois eu te amo, oh eternidade!

TERRA DOS SONÂMBULOS
(Instrumental)

APOCALIPSE
Estou aos pés de Deus
caído olho para o céu e vejo ele voltando
Entre as nuvens, entre o sol e a lua
Vem para exterminar
vem punir quem sempre lhe louvou
vem distante, sobre o oceano, vem cercado de anjos
com suas harpas cantando, cantando para exterminar
para exterminar, para exterminar, para eliminar o mal
para matar os seus filhos bastardos, como eu.

segunda-feira, 14 de março de 2011

[LETRAS] ATMOSFERA

AD ETERNUM
(Instrumental)

A CAVEIRA
Olhando para o espelho, você vê um rosto
Com pele, olhos, nariz e boca
Mas por trás, existe uma caveira
É esta caveira que é você!
É esta caveira que você é!
É esta caveira que é você!
É esta caveira que você é!
Você não é o que pensa
Não passa de uma caveira
Uma caveira
Filho da puta
Ossos, ossos, ossos, ossos, ossos e mais ossos
Ossos, ossos, ossos, ossos, ossos e mais ossos
Tornará pó branco, obra do tempo
É esta caveira que é você!
É esta caveira que você é!
Seu rosto sumirá.

RATOS MORTOS
Vivo em meio aos ratos mortos
Sem espaço pra viver em paz
Sem lugar pra me perder em paz!
Sigo procurando um lugar pra me perder em paz
Sigo procurando um esconderijo no escuro
Sigo procurando um lugar pra morrer em paz
Sigo procurando, sigo procurando, sigo procurando você
Pra me levar longe deste esgoto, me mostrar um lugar pra ficar
Não deixe a ratoeira me pegar.

NO LIMBO
Agora cada ato feito foi julgado
E transformado em punição
Chora, chora, implora perdão
Mas a quem pedir perdão
Você matou, você roubou, seqüestrou, estuprou
Chora, chora e caga nas calças
Cadê tua coragem agora
Você matou, você roubou, seqüestrou, estuprou
Chora, implora perdão, pra este deus sem coração
Que vai te afundar, em um mar, transbordando sangue
Vai te torturar, vai queimar teus olhos, cortar todos teus membros
Você vai sofrer sem fim, você vai sofrer sem fim, no limbo, no limbo
Eternamente.

O VENDAVAL
Chegou a hora venha dançar comigo
Me de sua mão vamos entrar no vendaval que irá nos levar aos céus
Nos formatar, venha comigo, vamos brincar de deus, vamos limpar os quartos
Vamos nadar no mar sem fim, venha comigo vamos voar como anjos
Vamos deitar nas nuvens, vamos transar feito animais no cio
Vamos criar um deus pra nos guiar mundo a dentro, vamos lembrar de quando éramos apenas crianças
A sonhar, a chorar por se sentir só, sem deus, com medo, sem ter aquele brinquedo, que o papai Noel prometeu
Vamos entrar no meio do vendaval
Vamos dançar dentro do vendaval
Vamos brincar dentro do vendaval
Vamos voar dentro do vendaval
Vamos cantar dentro do vendaval
Vamos sonhar dentro do vendaval
Vamos chorar dentro do vendaval
Vamos trepar dentro do vendaval
Vamos morrer dentro do vendaval.

AVE NEGRA
Afastem esta ave negra de mim, ela me segue com seus olhos de cristais
Ela que meu mal, quer me arrastar até o mar
Quer me sufocar, quer me afundar, me afogar
Quer me cegar, me perder no oceano
Me fazer desistir
Ela voa sobre o mar e eu só tento nadar, tento escapar
Não posso viver com essa nuvem negra a me seguir
Vou matá-la, vou matá-la
Não agüento mais.

QUINTESSÊNCIA
Me ama e deseja minha habilidade, renega minhas virtudes, acentua meus defeitos
Não vê, não vê, não vê, não vê
Egoísmo, concorrência, não vê, não vê, não.

NEBULOSA
Estou morto, tenho medo, da dor, da angustia, da dor da solidão, da escuridão
Do caminho, da espera fria, sangrenta
Do riso alto, do choro sem fim, das manhãs cinzas
Das tardes vermelhas, das noites roxas
Sem meu corpo, as ondas cerebrais percorrem a nebulosa
Não vejo nada alem de nuvens negras, não escuto nada alem gritos, choros e risos
Gritos, choros, risos
Gritos, risos
Sim o fim está chegando
Devo me manter na nebulosa em silêncio
Em silêncio, na nebulosa em silêncio
Em silêncio.

O ABISMO
Um abismo em movimento, tudo é abismo!
Ação, palavra, zelo, querer, medo, sinto passar o vento, por tudo
O precipício, o alento do silêncio, o terror do imenso firmamento
As unhas deste deus desenham um multiforme e eterno pesadelo
Tenho medo do sono
Da janela eu vejo o infinito a crescer
Minha alma que sempre a vertigem invade
Só invejo no nada a insensibilidade.

CARNAVAL NO CEMITÉRIO
(Instrumental)

ATMOSFERA
Me dê sua mão, veja em que dimensão estamos
A mais de setecentos mil metros abaixo do solo
Sonhando acordados
Sinto que estou de volta a minha infância
Quando eu era criança fui levado para um planeta frio
Lá se encontravam todos os mortos
Milhões, bilhões, incontáveis
Todas as almas
Estes fantasmas me perseguem
Nos corredores, nas salas
Corro para o alto, corro para o alto, corro para o alto
Mesmo assim eles me alcançam
Não consigo me livrar destas almas mortas
Querem o pouco que tenho
Querem me levar para o vale
Dizem que é tudo deles, dizem que é tudo deles, dizem que é tudo deles
Agora eu sou um deles, agora eu sou um deles
Sem história, sem começo nem fim
Eternamente vagando pelo espaço magnético
Milésima dimensão, um planeta perdido na galáxia sem fim
Na gigantesca história sem começo nem fim
Na gigantesca história sem começo nem fim
Sem lapsos, sem nexo
Sem lapsos, sem nexo
Sem lapsos, sem nexo
Sem lapsos, sem nexo
Sem começo nem fim
NADA.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

[LETRAS] EL NIÑO Y EL MAR

RÁDIO MORTO

Ouça este aviso que sai deste rádio morto

São más notícias, más noticias

Ouça com atenção

Te amo, te amo, te amo

Amo, amo, amo

Te amo, amo, amo, amo

Amo, amo, amo, amo, amo

Não tenha medo é só impressão

Não tenha medo é só depressão

Não tenha medo é só ilusão

Te amo, amo, amo, amo, amo

Amo, amo, amo, amo, amo!


O INFERNO

Eu conheci a violência do escuro alegre

Eu estava feliz como o demônio e o inferno é o meu máximo


RUA DA TRISTEZA

Moro na rua da tristeza

Dentro da casa da impureza

Minha banheira está cheia de lágrimas

Meu automóvel carrega um corpo morto

Sinto o cheiro do corpo podre

Vejo a enchente de sangue chegar

Quero nada, fugir, correr do afogamento.

Sonhar que a morte não existe que tudo não passa de um pesadelo.

De um curto e breve tormento


VAZIO

Vazio


EL NIÑO Y EL MAR

Toda badalada do relógio me fere, a ultima me mata

Tudo terminou em nada, o tempo está fugindo, escorrendo de minhas mãos

Tudo está se esvaziando, tudo está se esvaziando

Tudo está se esvaziando, tudo está se esvaziando

Tudo está se esvaziando, tudo está se esvaziando

Tudo está se esvaziando, tudo está se esvaziando

Desanimo ao falar, lentidão em meu andar, crepúsculos em meu olhar

El niño que fue tragado por el mar


ESCURO

Escuro


VALE DA ESCURIDÃO

Tudo estava escuro, um longo dia duro

Ela veio, me pegou pela mão

Me levou para o vale da escuridão

Onde não tem sol, onde não tem som

Onde não tem ar, onde não tem cura

Nem juras de amor, onde não tem dor

Não tem vento, tempo

Lugar onde não tem mar

Não tem como chorar


SONHOS

Sonhos


O PESADELO

Deitado, minha mente lenta, tudo em câmera lenta

Sonho com você ao mar

A lua ilumina seu corpo branco como a neve

As ondas levam você

Para onde não há o que temer

Seu corpo começa a tremer

Venho direto da lua, caio ao mar com você

Somos sugados para o redemoinho sem fim


DESTRUIÇÃO, DEVASTAÇÃO

Destruição, devastação


DOLOR Y AMOR

Me acorde deste pesadelo, me tire desse mar de gelo

Me salve desses olhos negros, dessa linda pele branca

Desses cabelos castanhos

Me livre da falta de sorte, que atenua meu medo da morte

Vou matar essa filha da puta, vou matar essa filha da puta

Vou matar essa filha da puta!

Que levou minha razão de viver, que levou todo meu calor

Me deixou um poço de dor

Agora vejo no espelho a face de puro rancor

Um hombre sin amor!


MORTE

Morte


LA MUERTE

Não vou ouvir mais a sua voz, você vai dormir, vai ficar em paz

Nada, nada, nada, la muerte, la muerte, la muerte

Depois dela não há nada, ela também não é nada, não há nada a temer, nada a temer

Nada a temer, enquanto vivemos, ela não existe e quando ela chega não existimos mais

Nada, nada, nada, la muerte, la muerte, la muerte

Não vou ouvir, mais a sua voz, você vai dormir, vai ficar em paz

Nada há temer, nada há temer, nada, nada, la muerte, la muerte, la muerte, la muerte

Nada, nada, nada, la muerte, la muerte, la muerte!


TEMPESTADE

Tempestade


CALMA CANÇÃO

Vamos cantando uma calma canção

Vamos correr antes que a chuva aumente

Antes que o medo domine, antes que a chuva nos leve para a corrente

Vamos, vamos cantando uma calma canção

Antes que a noite entre, antes que o inesperado ocorra

Antes que a morte chegue

Vamos cantando uma calma canção, vamos enquanto há tempo

A tempestade vai nos levar neste momento


CAOS

Caos


FUTURO NIILISTA

Cai chuva molha meu corpo

Quero olhar pro horizonte ao seu lado

Um horizonte escuro

Quero enxergar meu futuro ao seu lado

Como num quadro de Magritte

Como um pensamento de Nietzsche

Meu presente pra você

Meu futuro é teu

Meu futuro é negro

Como num quadro de Magritte

Como um pensamento de Nietzsche

Meu presente pra você

Meu futuro é teu

Meu futuro niilista

Nietzsche ateu

Marx ateu

Freud ateu

Meu futuro é teu


DEUS

Deus


DEUS DOS ATEUS

Deus dos sem deuses, deus do céu sem deus

Deus dos ateus, rogo a ti cem vezes

Responde quem és, serás deus ou deusa

Que sexo terás? Mostra teu dedo, tua língua, tua face

Deus dos sem deuses, tu queres me tomar, o mar quer me levar

Leva este ser vulgar com sua mão fria, puxa o meu braço, cava meu buraco

Com sua mão fria me bota num caixão, pune este pagão

Apaga este ateu que no fundo sempre foi teu


MEDO

Medo


SÚPLICA AO SENHOR

Se você for antes de mim, se existir algo depois daqui

Volte, me conte com sua voz rouca

Porque essa vida é tão louca

O que ele quer de nós?

Quer nosso sangue, quer nosso ódio

Quer nos testar, quer nos punir, mentir, fingir, fugir

Como bonecos, como macacos, como farrapos humanos, como cacos, como ratos

O que ele quer de nós?


DEMÔNIO

Demônio


CRIOGENIA

Não congele meu cadáver, não vejo um futuro melhor

Dentro de um tanque de nitrogênio

Sem apodrecer, esperando para renascer, ressuscitar num outro mundo sem vocês

Na companhia de coisas inimagináveis

Um Jesus Cristo sem missão, sem poder, sem milagres, sem morrer

Mas morrer é preciso, mas morrer é preciso, é preciso, é preciso

Insuportável seria, insuportável seria viver eternamente

Não me congele! Não me congele! Não me congele! Não me congele!


SOMBRA

Sombra


O SUICÍDIO

Se a vida é para os fortes, deixa-la é para quem já se esgotou de levar nas costas o peso desse mundo injusto

Adeus, você não verá mais minha face, talvez nas fotografias, frias, paradas

Que lembram vagamente como fui, vou sem levar nada, apenas sua voz sussurrando em meu ouvidos, suas frágeis mãos percorrendo meu pescoço

Sinto medo, sinto paz, sinto sono

A felicidade acabou, a depressão me levou, só enxergo inveja e insensibilidade

Cansado vou me juntar as milhares de almas inibidas que deixaram esse mundo sem serem sentidas

Ela chega vestida de preto, estende sua mão pálida e fria e me leva para o fundo do mar


PAZ

Paz


O FUNERAL

Chove o dia todo, estou preso neste lodo

Um ritual sinistro

Meu funeral, meu funeral

Peço a um deus desconhecido

Leve minha alma pagã

Leve minha vida em vão

Leve meu duro coração

Leve minhas ilusões

Leve minhas paixões

Leve minha alma leve

Leve meu corpo inútil

Leve minha cara triste

Leve, leve


O FIM

E o fim

segunda-feira, 27 de julho de 2009

[LETRAS] TEMPOS DE MEDO E MAL-ESTAR

GÁS DO EGOÍSMO


Atormentado por sentimentos dotados de rancor

Sou de poucos amigos

Muitos rompimentos

Não sou de falar muito

Um nevoeiro em movimento

Sou de refletir sentimentos, traumas e esvaziamentos

Não me ligue

Não conte comigo

Não quero contar contigo

Não posso, não sou seu amigo

Não me ligue

Não conte comigo

Não quero contar contigo, não posso, não sou seu amigo

Não somos irmão, nem filhos do mesmo deus

Somos sozinhos, em um mundo entupido

Entorpecido pelo gás do egoísmo

Flui tua vida, escassa, flui

Não me ligue

Não conte comigo

Não quero contar contigo

Não posso, não sou seu amigo

Sou sozinho, em um mundo entupido

Entorpecido pelo gás do egoísmo


INVEJA


Deseja minha habilidade

Sentimento de egocentrismo

Renega minhas virtudes

Acentua meus defeitos

Não vê, não vê

Não vê, não vê

Egoísmo, concorrência, poder

Mecanismo de defesa

Não vê, não vê

Não vê, não vê

Auto-preservação, auto-afirmação

Sua arma, incompetente, incapaz, limitado

Não vê, não vê

Não vê, não vê

Incompetente, incapaz, limitado

Suma!


A PEDRA


Qual e a relevância do seu time ganhar?

Qual é a importância de você ir trabalhar?

Qual é o orgulho de você ser cristão?

Qual é a vantagem de você ter um milhão?

Qual é a sua satisfação garantida?

Qual é a sua função social?

Qual é a sua pulsão animal?

Qual é a sua relação com os seres humanos?

Qual é a graça da sua festa?

Qual é o gosto do seu prazer?

Qual é a finalidade do seu gozo?

Qual é a sua superioridade?

Quando a tampa se fechar, a terra te cobrir e a pedra te lacrar?


ÓDIO CONTIDO


Porque o meu humor depende do seu?

O meu amor é maior que o seu

O seu egoísmo do tamanho do meu

Nosso vazio igualado no breu

Sob a névoa está nossa existência

As pílulas já não resolvem mais

As brigas já se esgotaram

O brio e o orgulho adormecidos

Tem dois minutos para ir embora

Antes que acabe toda nossa história

O brio e o orgulho adormecidos

Vá e carregue contigo o amor adormecido

Vá, que eu vou depois levando o meu ódio contido


AUTO-DESTRUIÇÃO


As pílulas tomam o lugar da reflexão

Niilismo passivo domina as ações

Organismo fraco, mente dominada

Autodestruição, autodestruição

Autodestruição, autodestruição

O pássaro negro voa sob o céu azul

Você homem se acaba, se destrói

Acaba em um tumulo, onde o pássaro pousará

A serpente entra em sua boca, te sufoca

Inútil foi o trabalho, não há mais esperança

Nada mais vale a pena

Seja trágico!

Cada instante retorna eternamente

Seja trágico

Cada instante retorna eternamente

Acorde!


MEDO E MAL-ESTAR


O medo e o mal-estar são irmãos siameses

Dois nomes de uma só experiência

Um se vê e o outro se sente

Um para o mundo, o outro para si mesmo

Nos vemos bloqueados (erro x2)

Fadados à frustração (erro x3)

Corra (erro), corra (erro), corra (erro)

Ninguém te ouve (erro), ninguém se importa (erro)

Se você cresce o outro joga um muro em ti

Morra (erro), morra (erro), morra (erro)

Experiências dolorosas da infância (erro)

Alicerce para o medo e mal-estar (erro)

Corra (erro), morra (erro), corra (erro)

(erro), (erro), (erro)

Nos vemos bloqueados, fadados a frustração (erro)

O medo e o mal-estar são irmão siameses (erro)

Ninguém te ouve (erro), ninguém se importa (erro)

Morra (erro), corra (erro), morra (erro), corra (erro)

(erro), (ERRO!)


DOIS


Eu e você

Agora estamos bem

Passamos por momentos terríveis

Hoje é um alivio

Mas tudo sempre acaba

Não devemos ter medo

Pra todos será assim

Enfim, agora recite seu poema, seu lema:

(voz Lola D. L.):

[Sou de poucos amigos
Grandes partidas
Partes rompidas
Sou de não falar demais
Despedidas no cais
Sou da cor lilás
Sou feita de névoas
Nódulos e néctares
Sou de aparecer de repente
De repetir sentimentos
Forçar certos momentos
Sou do tamanho de mim
Molécula carmim
Malévola no fim]

Eu e você

Dois

Tudo é mal no fim

Tudo é mal no fim

Tudo é mal no fim


PÓS-MODERNIDADE


Afinal, porque estou aqui?

Com essa angustia

Vivo sob uma fina camada de gelo

Se paro, ela racha

Temos que correr

Temos que correr

Temos que correr

Senão morremos

O que você é?

O que você veste?

Que lugares freqüenta?

Que carro você tem?

O que você é?

O que você veste?

Que lugares freqüenta?

Que carro você tem?

Corra atrás da perfeição

Se aperfeiçoe, não fique para trás

Seja livre, não acredite em nada

Não enxergo nada alem do vazio

Vivo na pós-modernidade onde tudo é vazio

Tudo é condicionado, não acredito em valores

Sou livre

Vivo sob uma fina camada de gelo

Se paro, ela racha

Temos que correr, senão morremos

Não pare, não pare, não pare, não pare

Senão você afoga


DERRAMA SANGUE


Derrama sangue, derrama, sangue

Derrama sangue, derrama, sangue

Ele nasceu, sem educação cresceu

A sociedade castrou

Mas logo pagou

Xingamentos, humilhações, preconceitos, inveja, ódio

Derrama sangue, derrama sangue, derrama sangue

Derrama

Vinga a sua dor, semeando mais dor

Nunca teve amigos, nunca teve amor

Filho do rancor, suas idéias foram negadas

Cuspes, risadas, isolamento

Castrado pela sociedade

Tiveram o que plantaram

Um psicopata, assassino, drogado

Vinga a sua dor, semeando mais dor

Derrama sangue, derrama sangue, derrama sangue, derrama sangue

Derrama ódio, derrama dor, derrama rancor, derrama cuspes, derrama risadas

Derrama humilhações, derrama, sangue


EM COMA


Você leu seu horóscopo no dia de sua morte?

Sim, dizia que meu dia seria ótimo

Principalmente no amor

Meu dia seria livre, não fosse aquele caminhão que cruzou meu caminho

Oras, como posso prever isso?

Será que em meu destino estava escrito que um caminhão cheio de vacas me mataria?

Destino, será que eu não tenho uma segunda chance?

Não! O seu destino é você quem faz

Segunda chance, tente não ser tão autoconfiante.

Acredite menos nos símbolos, mais na intuição

Não tente prever nada

Seu cérebro é seu deus, por isso cuide dele

Segunda chance, sair do coma

Você não morreu, volte!


METAPERIGO (PAVOR DA MORTE)


Insumo natural, escorraçado da vida humana

Arquétipo de todos os medos

Metaperigo

Morte

Perpetuum Mobile

O medo do perigo eminente

Vem da incapacidade humana de prevê-la

Que dirá previr-la ou controla-la

A crueldade do dano e da perda

Ataca sem motivo, é cega

Aquilo que você faz ou deixa de fazer pra evitá-la, é cega

É cega, status quo

La misère du monde, la fin du monde, penser la mort?

La misère du monde, la fin du monde, penser la mort?

Destino inescapável, pavor infinito

Penser la mort?

Metaperigo

Morte!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

[LETRAS] O ANTICRISTO

RÁDIO MORTO – O ANTICRISTO

O ANTICRISTO

É um doloroso, um arrepiante espetáculo
Valores de décadence, valores niilistas
Deus, Alma, Eu, Espírito
Pecado, redenção, clemência, castigo
Nervus Sympathicus (x4)
O Anticristo (x4)
Arrependimento, remorso, tentação, Deus
Mártires, ódio mortal, sugando sangue
Deus na cruz, imperium romanum, unio mystica
Beber sangue (x4)
O Anticristo (x5)
Salvador, inferno, peccatum originale, reich
Originale, reich, pecatum originale, reich
Covardia, desprezo, cristianismo
O Anticristo (x3), cristianismo
O Anticristo

HUMANO, DEMASIADO HUMANO

Espíritos livres (x8)
Romantismo, Pessimismo, realidades eternas, verdades absolutas
A fera em nós precisa ser enganada, não acreditava em mais nada
Humano, demasiado humano (x4)
Um pecado, vontade, lei natural, superstição, pobres de espíritos, almas mortais
Quer ser justo?, quer ser juiz?
Agir humano, fato: estamos na prisão
Deus o pecador e o homem seu redentor
Cristianismo de cabeça para baixo
Vê, és tu o cordeiro que carrega os pecados de Deus
Arte! (x3) o gozo de si que os levava arte, agora o aborrecimento de si
Nutritiva refeição a que nos convida a arte
Humano, demasiado humano (x2)
Pagão, nunca compreendido, sempre combatido e desprezado
Humano, demasiado humano (x2)
Inimigos desejados, antes do meio dia, luz do sol, floresta, fontes de água
Quer um si mesmo, conhece a ti mesmo, assim te tornarás um si mesmo
Humano, demasiado humano

ZARATUSTRA SUPER-HOMEM

Uma canção cantada para si mesmo
A fim de suportar a solidão
Uma terra sem chuva
Um dia mandei as nuvens embora de minhas montanhas
Um dia eu disse: -“Mais luz, obscuras!”
Zaratustra, Zaratustra
Zaratustra Super-Homem
Fora verdades de olhar sombrio
Quem são meu pai e minha mãe?
Não é meu pai o príncipe supérfluo e minha mãe o riso silencioso
Eu animal de enigma, eu mostro luminoso
Zaratustra, Zaratustra
Zaratustra Super-Homem
Zaratustra está sentado, esperando, esperando
Embaixo de seu cume, embaixo de seu gelo
Cansado e venturoso, um criador em seu sétimo dia
Quietos! É minha verdade
Zaratustra, Zaratustra
Zaratustra Super-Homem
Quietos! Minha verdade fala
Presenteia antes a ti próprio
Nenhuma gota te alcançou
Ninguém mais te agradece
Ó mais pobre de todos os ricos
Zaratustra, Zaratustra
Zaratustra Super-Homem
Tens de te tornar mais pobre
Sábio insensato
Queres ser amado
Ama-se somente os sofredores
Só de dá amor aos que tem fome
Presenteia antes a ti mesmo
Zaratustra, Zaratustra
Zaratustra Super-Homem

O DEUS MORTO

Deus está morto, Deus permanece morto e quem o matou fomos nós (x2)
Algozes dos algozes
Quem nos limpará desse sangue?
Qual a água que nos lavará?
Não teremos de nos tornar nós, próprios deuses?
Deus está morto, Deus permanece morto e quem o matou fomos nós (x2)
Foi a sua piedade que o matou
Algozes dos algozes
Quem nos limpará desse sangue?
Qual a água que nos lavará?
Não teremos de nos tornar nós, próprios deuses?
Deus está morto, Deus permanece morto e quem o matou fomos nós!
Foi a sua piedade que o matou (x4)

GENEALOGIA DA MORAL

O verdadeiro mundo tornou-se uma fábula
A moral é a contra natureza
Belas almas, de elevada simplicidade
Sou uma dinamite (x3), uma dinamite, Nietzsche
Aquele que galga as mais altas montanhas, ri de todas as tragédias lúdicas e de todas as tragédias sérias
Sou uma dinamite (x3), Nietzsche, uma dinamite, dinamite (x2)
Algum dia meu nome estará unido a algo gigantesco
Contra tudo o que se acreditou até este momento
Assim me falou o diabo: -“Também Deus tem seu inferno, é seu amor pelo homem”
A moral é a contra natureza, não sou uma homem, sou uma dinamite
Sou uma dinamite (x5), uma dinamite, sou uma dinamite, a dinamite, sou uma dinamite (x2), uma dinamite (x2), sou uma dinamite (x2) uma dinamite (x20)

[LETRAS] ALGO SURGIDO DO ABISMO

RÁDIO MORTO – ALGO SURGIDO DO ABISMO

INÍCIO (ALMAS PERDIDAS)

Fim a raça humana, fim para todos
Extermínio total, do Alasca à Austrália
Seis bilhões de almas perdidas
Seis bilhões de corpos perdidos
Seis bilhões de mentes perdidas
Acabar com toda escória
Que reste apenas a natureza
Apenas os animais
Sem o homem para devastá-la(x2)
Seis bilhões de almas perdidas
Seis bilhões de corpos perdidos
Seis bilhões de mentes perdidas
Vai natureza, viva!(x2)
Viva! Nada pode te parar (x3)
Vai natureza, viva!
Seis bilhões de almas perdidas
Seis bilhões de corpos perdidos
Seis bilhões de mentes perdidas
Que reste apenas a natureza
Sem a praga, sem a pobreza
Sem filosofia, ciência e política
Só natureza, vai natureza, viva!
Vai natureza, viva!
Vai! Viva!
Nada pode te parar!(x2)
A natureza sem o homem para matá-la

PSICOFUGA

Estou feliz, estou sorrindo
Estou fudendo
Relaxando, gozando
Foda-se você
Seus sentimentos
Jogo Xadrez
Tomo café
Dirijo meu carro
Ouço Trash Metal
Quebro um copo
Masco chicletes
Foda-se você
Compro um bilhete
Vou ao cinema
Nem lembro de você
Não estou dando a mínima para você
Nem lembro que você existiu, foda-se você!
Eu fiz ele parar! Foda-se o seu coração, seus sentimentos!

SIMULACRO E SIMULAÇÃO

Me responda caro amigo, você já perguntou por que vive?
Você nunca se questionou pra que viver?
O caminho da vida é difícil
Doenças, mortes, desastres, frustrações e decepções
Então caro amigo, Pra que?
Passamos por momentos felizes também
Festas, consumo, sexo, realizações
No fim, os momentos difíceis e os felizes são simulações do viver
Nos enganamos caro amigo, achamos que vivemos, mas sobrevivemos
Para em breve morrer e então concluir o caminho natural de trilhões de seres humanos que já passaram por aqui

O SILÊNCIO

Levante, seque suas lágrimas, você está livre
Desista e vista-se.
Vá, antes que ele nos ouça
Antes que todo o inferno nos ouça
Respire, bem fundo
Respire, bem fundo
Não se desespere, vá
Não se desespero, vá
Sozinho, sozinho, cante uma canção
Sozinho, sozinho, cante uma canção
Uma canção pra aquecer (x5)
Ta muito frio (x3)
Eu não consigo rir, você não consegue rir
O riso sai fraco, o riso sai fraco
Silencio, silencio
Ainda não há a paz eterna (x3)
Silêncio, silêncio, ainda não morremos
Ainda não há a paz eterna (x4)
De Deus, do diabo, do demônio, de Deus, de Zeus, do Cristo, de Buda, do Satã
A paz eterna, o silêncio.
A paz eterna, o silêncio.

O VELHO E O VENTO

O vento forte é o único som ali
O velho e seu cigarro
A fumaça invade o seu corpo
A pinga queima a garganta
O coração bate no peito, fraco, cansado e com defeito
As angustias de uma vida toda, vem com as lembranças da infância
Vem com o sopro do vento
Com o cheiro da chuva
A certeza da morte
A ausência de um Deus
O céu nublado
A árvore seca
A imagem de um santo
O gato preto, uma lágrima cai do rosto enrugado
A fumaça passa pela boca e sai ao vento

O ABISMO

Um abismo em movimento
Com ele tudo é abismo
Ação, palavra, zelo, querer
Medo, sinto passar o vento
No alto, em baixo, por tudo
O precipício, o apelo
Do silencio e o terror do imenso firmamento
As unhas deste Deus, todo discernimento
Desenha um multiforme e eterno pesadelo
Tenho medo do sono, medo da caverna
Ninguém sabe por que mundos se interna
Da janela eu vejo o infinito a crescer
Minha alma, que sempre a vertigem invade
Só inveja e no nada a insensibilidade
Não sair jamais do número e do ser

[LETRAS] D.D.D.

RÁDIO MORTO – D.D.D.

O SILÊNCIO

Levante, seque suas lágrimas, você está livre
Desista e vista-se.
Vá, antes que ele nos ouça
Antes que todo o inferno nos ouça
Respire, bem fundo
Respire, bem fundo
Não se desespere, vá
Não se desespero, vá
Sozinho, sozinho, cante uma canção
Sozinho, sozinho, cante uma canção
Uma canção pra aquecer (x5)
Ta muito frio (x3)
Eu não consigo rir, você não consegue rir
O riso sai fraco, o riso sai fraco
Silencio, silencio
Ainda não há a paz eterna (x3)
Silêncio, silêncio, ainda não morremos
Ainda não há a paz eterna (x4)
De Deus, do diabo, do demônio, de Deus, de Zeus, do Buda, de Cristo, do Satã
A paz eterna, o silêncio.
A paz eterna, o silêncio.

A DEPRESSÃO

Ela arrasa toda sua vontade
Devora seu viver, derruba suas ilusões
Te joga um enorme caldeirão de água fria
Te joga debaixo de uma cachoeira gelada
Te joga em uma mar rodeado de icebergs
Acaba com suas estruturas, toma o seu controle
Te faz perder, te faz cair, te faz tremer
Engole sua auto-estima, massacra o seu orgulho
Rasga o seu desejo, humilha o seu caráter
Amassa o seu amanhã, te faz suar, te faz chorar, te faz matar
Te cega, te abusa, te deixa mudo, te deixa nu, para o seu mundo
Te ama e te odeia, te afunda bem fundo
Te faz morrer

O SER E O NADA

É difícil ser eu mesmo
Penso, logo sou eu
Preso nesse corpo
Com a mesma cara todo dia
A mesma rotina, os mesmos medos
A cor dos cabelos, dos olhos, da retina
Passando pela mesma rua, olhando os mesmos carros
Tomando coca-cola, voltando da escola
Indo e vindo
Sentindo meus pés, comendo pastéis
Correndo da chuva, sou eu olhando no vidro do carro
Refletindo a minha face, a mesma face
A mesma cara, a vida toda com a mesma cara
Hoje sem, mas amanhã cheia de rugas

COMO SE FOSSE O FIM

Vem como uma tempestade devastando tudo
Vem de repente, atacando violentamente
Não tem piedade
Com a foice te decepa a cabeça
Aproveite a vida meu caro
Goze cada dia como se fosse o fim
Regule a serotonina, a noradrenalina
Jogue a depressão e os conflitos fora
Viva da forma como achar melhor
Bebendo, transando, dormindo, pensando
Mas cuidado, viver chorando pelos cantos com feição de morto fora do caixão é burrice
Pois ela vem logo, ela vem pra te colocar no terno de madeira
Cuidado, cuidado, cuidado, cuidado!
Vem como uma locomotiva, vem devastando tudo
Vem como um furacão
A morte, te coloca num saco preto

MISÉRIA HUMANA

Escondendo da chuva, debaixo da ponte
A noite fria, os ratos
O cheiro podre, deitado com um cobertor fétido
Levando chutes da polícia
A fome ataca, o ataque ao lixo
A maça mordida, o pão embolorado
Era endinheirado
Miséria, miséria, miséria, miséria!
Peço comida, me dão pão
Não agüento mais pão
Santa ceia, imploro aos santos
Me dêem dignidade
Dignidade? Levando ovos na cabeça?
Cuspe na cara? Morram! morram!
Porque? Cadê o estado?
Sub-humano, cadê Deus? Cadê?
Só vejo o deus da miséria
Só vejo o deus da maldição!

TRISTEZA INFINITA

A angustia aperta o peito
O choro vem chegando
O vento bate na cara
Ultrapasso os portões
A beleza gótica, o olho grande da coruja
As cruzes, as flores, a tristeza em pedras
Os túmulos, sim, estou num cemitério
Ah tristeza, porque veio?
Ficasse lá, não fosse ao funeral, nem ao enterro
Porque vieste me visitar? Vá embora!
Ah tristeza, porque não morre?
Me responde ser necessária, tanto quanto a alegria
Mas cadê a alegria? Ficou lá na folia, no jogo de futebol, na mesa do bar, na cama do motel, no casamento!
Mas vocês andam juntas?
Me respondem serem inseparáveis, só se separam em momentos oportunos!
E quando são os tais momentos?
Uma vem na vida e a outra vem na morte.

PSICOFUGA

Estou feliz, estou sorrindo
Estou fudendo
Relaxando, gozando
Foda-se você
Seus sentimentos
Jogo Xadrez
Tomo café
Dirijo meu carro
Ouço Black Metal
Quebro um copo
Masco chicletes
Compro um bilhete
Vou ao cinema
Nem lembro de você
Não estou dando a mínima para os seus sentimentos
Nem lembro de sua existência, vadia!
O seu coração, o seu coração, o seu coração
Foda-se o seu coração, foda-se, foda-se!
Eu fiz ele parar, eu fiz ele parar, eu fiz ele parar!

O VELHO E O VENTO

O velho e seu cigarro
A fumaça invade o seu corpo
A pinga queima a garganta
O coração bate no peito, fraco, cansado e com defeito
As angustias de uma vida toda, vem com as lembranças da infância
Vem com o sopro do vento
O cheiro da chuva
A certeza da morte
O céu nublado
A árvore seca
A imagem do santo
O gato preto
A ausência de um Deus

CHUVA ÁCIDA

A chuva cai sem parar
Eu fico ilhado nessa casa
Só penso em sair daqui
Sair pra correr
Correr na chuva
Mas eu não consigo sair
A chuva é ácida
O ser humano é podre
A chuva é ácida, o ser humano é podre
A chuva cai sem parar
Eu fico ilhado nessa casa
Só penso em sair daqui
Sair pra correr
Mas a chuva é ácida e o ser humano é podre
Egoísta, podre
Eu posso te ajudar?
Será que eu posso te ajudar?
Mas a chuva cai sem parar
Eu to ilhado nessa casa
Mas eu só penso em sair
Sair pra correr, será que eu posso te ajudar?
Mas a chuva é ácida e o ser humano é podre
Será? Será que eu posso te ajudar?
Ainda cai sem parar, ainda estou nessa casa, ainda penso em sair, ainda quero correr, ainda sou podre, ainda sou egoísta, ainda é ácido!
Será que eu posso te ajudar? Será?

DEVASTAÇÃO E DESOLAÇÃO

A neblina deixa a escuridão branca
A estrada e os faróis amarelos dos carros
Seu corpo gelado, minha mão quase morta
O medo da morte, o cair da noite
O súbito vendaval
A ansiedade, a insanidade
A morte bate a porta, o cheiro do álcool, os comprimidos
A loucura chega sempre a noite, chega na escuridão quase sempre acompanhada do medo
Delírios, desespero, desesperança
Devastando o sistema nervoso
A noite, devastando a calma e o gozo

O ÚNICO ERRO

O nascimento, talvez o único erro
Aprendizagem, depois traumas, abusos, ilusões e mentiras
Erros e mais erros
Casamento, família, aposentadoria e morte
Erros vividos intensamente e deles nada aprendido
O amor é um erro
O conhecimento é um erro
A felicidade é um erro
A amizade é um erro
O ódio é um erro
A bondade é um erro
Inseguro, vou errando
Sempre sem razão
Sempre na contra mão
Sempre sem razão
Sempre na contra mão
O nascimento, talvez o único erro

SIMULACRO E SIMULAÇÃO

Me responda caro amigo, você já perguntou por que vive?
Você não se questiona pra que viver?
No caminho da vida passamos por momentos tão difíceis
Doenças, mortes, desastres, frustrações e decepções
Então caro amigo, por que? Pra que?
Passamos por momentos felizes também, não nego
Festas, consumo, sexo, realizações, encantamentos
No fim, momentos difíceis e os felizes são simulações do viver
Nos enganamos, achamos que vivemos, mas sobrevivemos
Para em breve morrer, então concluir o caminho natural de trilhões de seres humanos que já passaram por aqui

VONTADE DE NADA

Levanto e olho para o céu, nublado
Uma chuva fina cai
Fumo um cigarro, tomo café,tento acordar
Jogo água fria na cara
Me bate uma tristeza imensa
Me bate um sufocamento
Mais um dia sem sentido
Mais um dia de inimigos
Me bate uma melancolia
Melancolia, melancolia, melancolia, melancolia
Ligo a TV, só tem lixo, porcaria
Ligo o som, tudo me enjoa
Vou ao telhado, olho pra baixo
Não posso, não posso, não posso, não posso
Volto pra baixo, pego um livro, começo a ler
História da loucura, Michel Foucault, pego Nietzsche, pego Freud, pego Schopenhauer
Nada me tira da melancolia
O tédio, a melancolia, o tédio, a melancolia, melancolia, melancolia (x5)
Saio pra rua, a chuva me encharca, encharco a cara de álcool num boteco
Vou ao cinema, cinema pornô, sexo pago, prazer simulado
Já chega a noite, me entrego ao pó, me entrego ao pó
Estou só o pó, pó, uísque, pó, uísque, uísque, uísque e melancolia
Pó, uísque e melancolia (x3)
Melancolia, melancolia, melancolia, melancolia (x3)

ALMA VAZIA

O vazio é tão grande e minha vida limitada
O nada preenche minha alma
Será que a existência perdeu seu sentido?
Será que já nasceu o anticristo?
Será que algum homem é super-homem?
Zaratustra, Zaratustra, quero ver o Deus morto
Foi sua piedade que o matou?
Zaratustra, Zaratustra, me mostre um humano não demasiado
Os sem medo, os morais, dinamites pronta para detonar!
Zaratustra, Zaratustra, me mostre o caminho
O nada preenche minha alma

DOR E VAPOR

Estou farto do seu egoísmo, das suas idéias fixas
Do seu conformismo
Diante do seu sofrimento, me rendo
Te cubro com meu corpo, te dou meu amor
Pego sua dor, transformo em vapor
Me faz morrer, me faz morrer
Me faz morrer, me faz morrer
Seus pecados, seus lamentos, sua depressão
Seu desamor, seu mau humor
Diante do seu afogamento, me culpo
Te abraço, te dou alívio
Tensão
Enxugo seu suor, transformo em vapor
Me faz morrer, me faz morrer
Me faz morrer, o morrer, morrer, o morrer
Me faz morrer, me faz, me faz morrer, me faz morrer.

PRAZER E SOFRER

Te torturo por prazer, te abuso porque sou mais forte
Te molesto porque sou Deus
Te bato porque te quero com medo
Te faço carinho, te dou um apertão
Te dou um tapa, um soco, te enforco
Te deixo acuada, te chupo, te estupro
Deitada ao chão, chora, implora
Eu choro também, por saber que sou um porco, desumano, sádico, doente
Sei que sou o pior dos seres humanos, por matar aquilo que amo

SÓ ENTÃO

Só então, me dê um pão com requeijão
Me sirva na mesa
Me de o deleite de sua beleza
Tome o leite com delicadeza
Não olhe pra mim, tome até o fim
Me deixe comer, me deixe viver sem ti
Só então, me de um pão com requeijão
Sirva na mesa, me de o deleite de sua beleza
Tome o leite com delicadeza
Não olhe pra mim, tome até o fim
Me deixe viver, me deixe viver sem ti
Sem tua beleza, sem tua delicadeza
Sem o pão, sem a mesa
Não olhe pra mim, me deixe viver
Me deixe viver, só
Então

ORQUÍDEAS DESPEDAÇADAS

O orquidário, a lua, o vento frio, o sumiço repentino
Como a morte
Pensamento fixo, obsessão
Pensamento fixo, obsessão
Não consigo esquecer, deprimido e frustrado
Não consigo dormir, pesadelo gelado
Destruo as orquídeas, lágrimas amargas
Destruo as orquídeas, alma empedrada
Pensamento fixo, perda (x2)
Não consigo viver, sem você
Não consigo morrer, por você
Destruo as orquídeas, destruo as orquídeas pra viver
Pra não morrer

OXIGÊNIO (DESESPERO)

Vem de repente, do nada
Invade o peito, ocupa a mente
Falta o ar, perco o controle
Oxigênio, oxigênio, oxigênio
Quero uma ventania, uma ventania
Cadê meu ar? Por favor, devolva-me
Me de sua mão, me abrace
Me ouça, rasgo minha blusa
Caio ao chão, chuto tudo ao meu redor
Quebro meu pé, quebro tudo o que vejo
Detono minha mão, quero que me entenda
Me ouça, ouça meu grito
Ouça minha respiração, minha respiração
Meu desespero
Devolva-me, meu ar, meu pé, minha mão
Meu desespero

FIM

No inicio, bem no inicio
Não enxergamos o final
No inicio, matamos o medo
Bem no inicio, choramos de saudade
Lá no inicio, sentimos o amor
A paixão
Agora é dor
Agora é terror
Sem esperança
A sombra negra, a desilusão
Alcançamos a sombra negra, cansamos e é só desilusão
Agora, agora
Enxergamos o fim

MEU MUNDO CAIU (BÔNUS TRACK)

Meu mundo caiu e me fez ficar assim
Você conseguiu e agora diz que tem pena de mim
Não sei se me explico bem
Eu nada pedi
Nem a você nem a ninguém
Não fui eu que cai
Sei que você me entendeu
Sei também que não vai se importar
Se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar
Meu mundo caiu e me fez ficar assim
Você conseguiu e agora diz que tem pena de mim
Não sei se me explico bem
Eu nada pedi
Nem a você nem a ninguém
Não fui eu que cai
Sei que você me entendeu
Sei também que não vai se importar
Se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar