segunda-feira, 27 de julho de 2009

[LETRAS] TEMPOS DE MEDO E MAL-ESTAR

GÁS DO EGOÍSMO


Atormentado por sentimentos dotados de rancor

Sou de poucos amigos

Muitos rompimentos

Não sou de falar muito

Um nevoeiro em movimento

Sou de refletir sentimentos, traumas e esvaziamentos

Não me ligue

Não conte comigo

Não quero contar contigo

Não posso, não sou seu amigo

Não me ligue

Não conte comigo

Não quero contar contigo, não posso, não sou seu amigo

Não somos irmão, nem filhos do mesmo deus

Somos sozinhos, em um mundo entupido

Entorpecido pelo gás do egoísmo

Flui tua vida, escassa, flui

Não me ligue

Não conte comigo

Não quero contar contigo

Não posso, não sou seu amigo

Sou sozinho, em um mundo entupido

Entorpecido pelo gás do egoísmo


INVEJA


Deseja minha habilidade

Sentimento de egocentrismo

Renega minhas virtudes

Acentua meus defeitos

Não vê, não vê

Não vê, não vê

Egoísmo, concorrência, poder

Mecanismo de defesa

Não vê, não vê

Não vê, não vê

Auto-preservação, auto-afirmação

Sua arma, incompetente, incapaz, limitado

Não vê, não vê

Não vê, não vê

Incompetente, incapaz, limitado

Suma!


A PEDRA


Qual e a relevância do seu time ganhar?

Qual é a importância de você ir trabalhar?

Qual é o orgulho de você ser cristão?

Qual é a vantagem de você ter um milhão?

Qual é a sua satisfação garantida?

Qual é a sua função social?

Qual é a sua pulsão animal?

Qual é a sua relação com os seres humanos?

Qual é a graça da sua festa?

Qual é o gosto do seu prazer?

Qual é a finalidade do seu gozo?

Qual é a sua superioridade?

Quando a tampa se fechar, a terra te cobrir e a pedra te lacrar?


ÓDIO CONTIDO


Porque o meu humor depende do seu?

O meu amor é maior que o seu

O seu egoísmo do tamanho do meu

Nosso vazio igualado no breu

Sob a névoa está nossa existência

As pílulas já não resolvem mais

As brigas já se esgotaram

O brio e o orgulho adormecidos

Tem dois minutos para ir embora

Antes que acabe toda nossa história

O brio e o orgulho adormecidos

Vá e carregue contigo o amor adormecido

Vá, que eu vou depois levando o meu ódio contido


AUTO-DESTRUIÇÃO


As pílulas tomam o lugar da reflexão

Niilismo passivo domina as ações

Organismo fraco, mente dominada

Autodestruição, autodestruição

Autodestruição, autodestruição

O pássaro negro voa sob o céu azul

Você homem se acaba, se destrói

Acaba em um tumulo, onde o pássaro pousará

A serpente entra em sua boca, te sufoca

Inútil foi o trabalho, não há mais esperança

Nada mais vale a pena

Seja trágico!

Cada instante retorna eternamente

Seja trágico

Cada instante retorna eternamente

Acorde!


MEDO E MAL-ESTAR


O medo e o mal-estar são irmãos siameses

Dois nomes de uma só experiência

Um se vê e o outro se sente

Um para o mundo, o outro para si mesmo

Nos vemos bloqueados (erro x2)

Fadados à frustração (erro x3)

Corra (erro), corra (erro), corra (erro)

Ninguém te ouve (erro), ninguém se importa (erro)

Se você cresce o outro joga um muro em ti

Morra (erro), morra (erro), morra (erro)

Experiências dolorosas da infância (erro)

Alicerce para o medo e mal-estar (erro)

Corra (erro), morra (erro), corra (erro)

(erro), (erro), (erro)

Nos vemos bloqueados, fadados a frustração (erro)

O medo e o mal-estar são irmão siameses (erro)

Ninguém te ouve (erro), ninguém se importa (erro)

Morra (erro), corra (erro), morra (erro), corra (erro)

(erro), (ERRO!)


DOIS


Eu e você

Agora estamos bem

Passamos por momentos terríveis

Hoje é um alivio

Mas tudo sempre acaba

Não devemos ter medo

Pra todos será assim

Enfim, agora recite seu poema, seu lema:

(voz Lola D. L.):

[Sou de poucos amigos
Grandes partidas
Partes rompidas
Sou de não falar demais
Despedidas no cais
Sou da cor lilás
Sou feita de névoas
Nódulos e néctares
Sou de aparecer de repente
De repetir sentimentos
Forçar certos momentos
Sou do tamanho de mim
Molécula carmim
Malévola no fim]

Eu e você

Dois

Tudo é mal no fim

Tudo é mal no fim

Tudo é mal no fim


PÓS-MODERNIDADE


Afinal, porque estou aqui?

Com essa angustia

Vivo sob uma fina camada de gelo

Se paro, ela racha

Temos que correr

Temos que correr

Temos que correr

Senão morremos

O que você é?

O que você veste?

Que lugares freqüenta?

Que carro você tem?

O que você é?

O que você veste?

Que lugares freqüenta?

Que carro você tem?

Corra atrás da perfeição

Se aperfeiçoe, não fique para trás

Seja livre, não acredite em nada

Não enxergo nada alem do vazio

Vivo na pós-modernidade onde tudo é vazio

Tudo é condicionado, não acredito em valores

Sou livre

Vivo sob uma fina camada de gelo

Se paro, ela racha

Temos que correr, senão morremos

Não pare, não pare, não pare, não pare

Senão você afoga


DERRAMA SANGUE


Derrama sangue, derrama, sangue

Derrama sangue, derrama, sangue

Ele nasceu, sem educação cresceu

A sociedade castrou

Mas logo pagou

Xingamentos, humilhações, preconceitos, inveja, ódio

Derrama sangue, derrama sangue, derrama sangue

Derrama

Vinga a sua dor, semeando mais dor

Nunca teve amigos, nunca teve amor

Filho do rancor, suas idéias foram negadas

Cuspes, risadas, isolamento

Castrado pela sociedade

Tiveram o que plantaram

Um psicopata, assassino, drogado

Vinga a sua dor, semeando mais dor

Derrama sangue, derrama sangue, derrama sangue, derrama sangue

Derrama ódio, derrama dor, derrama rancor, derrama cuspes, derrama risadas

Derrama humilhações, derrama, sangue


EM COMA


Você leu seu horóscopo no dia de sua morte?

Sim, dizia que meu dia seria ótimo

Principalmente no amor

Meu dia seria livre, não fosse aquele caminhão que cruzou meu caminho

Oras, como posso prever isso?

Será que em meu destino estava escrito que um caminhão cheio de vacas me mataria?

Destino, será que eu não tenho uma segunda chance?

Não! O seu destino é você quem faz

Segunda chance, tente não ser tão autoconfiante.

Acredite menos nos símbolos, mais na intuição

Não tente prever nada

Seu cérebro é seu deus, por isso cuide dele

Segunda chance, sair do coma

Você não morreu, volte!


METAPERIGO (PAVOR DA MORTE)


Insumo natural, escorraçado da vida humana

Arquétipo de todos os medos

Metaperigo

Morte

Perpetuum Mobile

O medo do perigo eminente

Vem da incapacidade humana de prevê-la

Que dirá previr-la ou controla-la

A crueldade do dano e da perda

Ataca sem motivo, é cega

Aquilo que você faz ou deixa de fazer pra evitá-la, é cega

É cega, status quo

La misère du monde, la fin du monde, penser la mort?

La misère du monde, la fin du monde, penser la mort?

Destino inescapável, pavor infinito

Penser la mort?

Metaperigo

Morte!