GÁS DO EGOÍSMO
Atormentado por sentimentos dotados de rancor
Sou de poucos amigos
Muitos rompimentos
Não sou de falar muito
Um nevoeiro em movimento
Sou de refletir sentimentos, traumas e esvaziamentos
Não me ligue
Não conte comigo
Não quero contar contigo
Não posso, não sou seu amigo
Não me ligue
Não conte comigo
Não quero contar contigo, não posso, não sou seu amigo
Não somos irmão, nem filhos do mesmo deus
Somos sozinhos, em um mundo entupido
Entorpecido pelo gás do egoísmo
Flui tua vida, escassa, flui
Não me ligue
Não conte comigo
Não quero contar contigo
Não posso, não sou seu amigo
Sou sozinho, em um mundo entupido
Entorpecido pelo gás do egoísmo
INVEJA
Deseja minha habilidade
Sentimento de egocentrismo
Renega minhas virtudes
Acentua meus defeitos
Não vê, não vê
Não vê, não vê
Egoísmo, concorrência, poder
Mecanismo de defesa
Não vê, não vê
Não vê, não vê
Auto-preservação, auto-afirmação
Sua arma, incompetente, incapaz, limitado
Não vê, não vê
Não vê, não vê
Incompetente, incapaz, limitado
Suma!
A PEDRA
Qual e a relevância do seu time ganhar?
Qual é a importância de você ir trabalhar?
Qual é o orgulho de você ser cristão?
Qual é a vantagem de você ter um milhão?
Qual é a sua satisfação garantida?
Qual é a sua função social?
Qual é a sua pulsão animal?
Qual é a sua relação com os seres humanos?
Qual é a graça da sua festa?
Qual é o gosto do seu prazer?
Qual é a finalidade do seu gozo?
Qual é a sua superioridade?
Quando a tampa se fechar, a terra te cobrir e a pedra te lacrar?
ÓDIO CONTIDO
Porque o meu humor depende do seu?
O meu amor é maior que o seu
O seu egoísmo do tamanho do meu
Nosso vazio igualado no breu
Sob a névoa está nossa existência
As pílulas já não resolvem mais
As brigas já se esgotaram
O brio e o orgulho adormecidos
Tem dois minutos para ir embora
Antes que acabe toda nossa história
O brio e o orgulho adormecidos
Vá e carregue contigo o amor adormecido
Vá, que eu vou depois levando o meu ódio contido
AUTO-DESTRUIÇÃO
As pílulas tomam o lugar da reflexão
Niilismo passivo domina as ações
Organismo fraco, mente dominada
Autodestruição, autodestruição
Autodestruição, autodestruição
O pássaro negro voa sob o céu azul
Você homem se acaba, se destrói
Acaba em um tumulo, onde o pássaro pousará
A serpente entra em sua boca, te sufoca
Inútil foi o trabalho, não há mais esperança
Nada mais vale a pena
Seja trágico!
Cada instante retorna eternamente
Seja trágico
Cada instante retorna eternamente
Acorde!
MEDO E MAL-ESTAR
O medo e o mal-estar são irmãos siameses
Dois nomes de uma só experiência
Um se vê e o outro se sente
Um para o mundo, o outro para si mesmo
Nos vemos bloqueados (erro x2)
Fadados à frustração (erro x3)
Corra (erro), corra (erro), corra (erro)
Ninguém te ouve (erro), ninguém se importa (erro)
Se você cresce o outro joga um muro em ti
Morra (erro), morra (erro), morra (erro)
Experiências dolorosas da infância (erro)
Alicerce para o medo e mal-estar (erro)
Corra (erro), morra (erro), corra (erro)
(erro), (erro), (erro)
Nos vemos bloqueados, fadados a frustração (erro)
O medo e o mal-estar são irmão siameses (erro)
Ninguém te ouve (erro), ninguém se importa (erro)
Morra (erro), corra (erro), morra (erro), corra (erro)
(erro), (ERRO!)
DOIS
Eu e você
Agora estamos bem
Passamos por momentos terríveis
Hoje é um alivio
Mas tudo sempre acaba
Não devemos ter medo
Pra todos será assim
Enfim, agora recite seu poema, seu lema:
(voz Lola D. L.):
[Sou de poucos amigos
Grandes partidas
Partes rompidas
Sou de não falar demais
Despedidas no cais
Sou da cor lilás
Sou feita de névoas
Nódulos e néctares
Sou de aparecer de repente
De repetir sentimentos
Forçar certos momentos
Sou do tamanho de mim
Molécula carmim
Malévola no fim]
Eu e você
Dois
Tudo é mal no fim
Tudo é mal no fim
Tudo é mal no fim
PÓS-MODERNIDADE
Afinal, porque estou aqui?
Com essa angustia
Vivo sob uma fina camada de gelo
Se paro, ela racha
Temos que correr
Temos que correr
Temos que correr
Senão morremos
O que você é?
O que você veste?
Que lugares freqüenta?
Que carro você tem?
O que você é?
O que você veste?
Que lugares freqüenta?
Que carro você tem?
Corra atrás da perfeição
Se aperfeiçoe, não fique para trás
Seja livre, não acredite em nada
Não enxergo nada alem do vazio
Vivo na pós-modernidade onde tudo é vazio
Tudo é condicionado, não acredito em valores
Sou livre
Vivo sob uma fina camada de gelo
Se paro, ela racha
Temos que correr, senão morremos
Não pare, não pare, não pare, não pare
Senão você afoga
DERRAMA SANGUE
Derrama sangue, derrama, sangue
Derrama sangue, derrama, sangue
Ele nasceu, sem educação cresceu
A sociedade castrou
Mas logo pagou
Xingamentos, humilhações, preconceitos, inveja, ódio
Derrama sangue, derrama sangue, derrama sangue
Derrama
Vinga a sua dor, semeando mais dor
Nunca teve amigos, nunca teve amor
Filho do rancor, suas idéias foram negadas
Cuspes, risadas, isolamento
Castrado pela sociedade
Tiveram o que plantaram
Um psicopata, assassino, drogado
Vinga a sua dor, semeando mais dor
Derrama sangue, derrama sangue, derrama sangue, derrama sangue
Derrama ódio, derrama dor, derrama rancor, derrama cuspes, derrama risadas
Derrama humilhações, derrama, sangue
EM COMA
Você leu seu horóscopo no dia de sua morte?
Sim, dizia que meu dia seria ótimo
Principalmente no amor
Meu dia seria livre, não fosse aquele caminhão que cruzou meu caminho
Oras, como posso prever isso?
Será que em meu destino estava escrito que um caminhão cheio de vacas me mataria?
Destino, será que eu não tenho uma segunda chance?
Não! O seu destino é você quem faz
Segunda chance, tente não ser tão autoconfiante.
Acredite menos nos símbolos, mais na intuição
Não tente prever nada
Seu cérebro é seu deus, por isso cuide dele
Segunda chance, sair do coma
Você não morreu, volte!
METAPERIGO (PAVOR DA MORTE)
Insumo natural, escorraçado da vida humana
Arquétipo de todos os medos
Metaperigo
Morte
Perpetuum Mobile
O medo do perigo eminente
Vem da incapacidade humana de prevê-la
Que dirá previr-la ou controla-la
A crueldade do dano e da perda
Ataca sem motivo, é cega
Aquilo que você faz ou deixa de fazer pra evitá-la, é cega
É cega, status quo
La misère du monde, la fin du monde, penser la mort?
La misère du monde, la fin du monde, penser la mort?
Destino inescapável, pavor infinito
Penser la mort?
Metaperigo
Morte!